O comportamento predatório dos professores do ensino médio em relação aos seus alunos é muito mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Embora muitas vezes considerados incidentes isolados, as evidências sugerem que o aliciamento e o abuso sistêmicos ocorrem em cerca de 10-17% das escolas de ensino fundamental e médio, com muitos casos não sendo relatados. A realidade é que este abuso não se trata apenas de sexo; é uma dinâmica de poder calculada onde os professores exploram vulnerabilidades para controle.
A psicologia da higiene
Os professores que se envolvem em má conduta não agem por impulso. Eles visam metodicamente os estudantes, muitas vezes provenientes de lares instáveis ou sem supervisão de adultos, e posicionam-se como confidentes ou mentores. Isto cria uma falsa sensação de confiança, permitindo-lhes manipular e isolar as vítimas.
Como explica Terry Miller, do Centro Nacional para Acabar com o Abuso Sexual (NCSESAME), a “promessa de amor” é uma mentira deliberada destinada a obter acesso. Os estudantes não estão entrando em relações consensuais; estão a ser explorados numa dinâmica de poder desequilibrada onde o consentimento informado é impossível.
Por que isso acontece: o perfil do Predador
A pesquisa sugere que certos perfis de professores são mais propensos à má conduta. Estes incluem indivíduos que eram impopulares no ensino secundário e procuram reviver a sua juventude, professores divorciados ou infelizes que procuram validação, ou aqueles que exploram oportunidades de acesso individual (como treinadores ou instrutores de música).
Estes predadores muitas vezes confundem fronteiras, aumentam os seus abusos ao longo do tempo e operam com impunidade devido à fraca supervisão. Alguns estados permitem que a má conduta fique impune se o aluno estiver acima da idade de consentimento, criando brechas legais que protegem os abusadores.
O dano duradouro
As vítimas de abuso de professores sofrem graves consequências a longo prazo. Muitos lutam contra o abuso de substâncias, instabilidade emocional e dificuldade em formar relacionamentos saudáveis. O trauma muitas vezes leva à ideação suicida, à autoestima prejudicada e a uma profunda desconfiança na autoridade.
Diana Mondragon, uma sobrevivente que explorou o seu abuso num podcast com outra vítima, recorda como a atenção da sua professora foi inicialmente inebriante. Ela só reconheceu isso como abuso anos depois, quando conectou sua experiência a alegações semelhantes contra Marilyn Manson.
Falhas Sistêmicas
O problema é agravado por relatórios inadequados, lacunas legais e normalização social do comportamento predatório. Os meios de comunicação locais muitas vezes enquadram estes casos como “relações românticas”, obscurecendo a realidade do abuso.
Apesar de alguns progressos, com mais de 75% dos estados a terem agora leis contra a má conduta sexual dos educadores, a aplicação permanece inconsistente. A colcha de retalhos de regulamentações permite que muitos abusadores passem despercebidos.
Seguindo em frente
A conversa sobre a má conduta dos professores deve mudar. Precisamos de parar de enquadrar estes atos como relações consensuais e reconhecê-los pelo que são: abuso predatório. O aumento da vigilância por parte das escolas, proteções legais mais rigorosas para as vítimas e uma mudança cultural no sentido da responsabilização são cruciais para proteger os estudantes desta ameaça generalizada.
